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sexta-feira, 26 de agosto de 2011

O Constante Desejo de Mudança Cega o Progresso

Penso, baseando-me em todos os dados que de há um ano para cá nos saltam aos olhos, que se pode afirmar que qualquer progresso deve acarretar necessariamente não um avanço ainda maior mas, ao fim e ao cabo, a negação do progresso e o retorno ao ponto de partida. A história do género humano prova-o. No entanto, a confiança cega desta geração, e da que a precedeu, nas ideias modernas, no advento de não sei que era da humanidade que deveria marcar uma profunda transformação - mas que, no meu entender, para influenciar o destino de cada um deveria antes de mais afectá-lo na própria natureza do homem -, esta confiança no futuro, que nada nos séculos que nos precederam justifica, constitui seguramente a única garantia desses bens futuros, dessas revoluções tão desejadas pela vontade dos homens.
Não será evidente que o progresso, ou seja a marcha progressiva das coisas - tanto para o bem como para o mal -, acabou, hoje, por conduzir a sociedade à beira de um abismo, onde ela poderá facilmente vir a cair para dar lugar à mais completa barbárie? E a razão disso, a única razão para que isso suceda, não residirá nessa lei que neste mundo impõe a todas as outras: isto é, a necessidade de uma transformação, qualquer que ela seja? É preciso mudar. Nil in eodem statu permanet.
O que a sabedoria dos antigos, antes de ter passado por tantas experiências, descobriu, teremos mais tarde ou mais cedo de o aceitar e de o viver. O que hoje em nós se extingue voltará sem dúvida a surgir de forma diferente ou subsistirá noutras condições, mais ou menos duradoiramente.

Eugène Delacroix, in 'Diário'
França

1798 // 1863
Pintor

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